TEC
Teatro Experimental de Cascais


PEDRO BARROSO

Portugal acaba de perder um dos mais destacados intérpretes do nosso universo musical.
Era um poeta notável e um excelente cantautor que nos deixa a sua voz inconfundível com o seu carismático "dizer" carregado de inúmeras mensagens cívicas, e não só.
Pedro Barroso sendo um homem preocupado com o nosso país, foi sempre um cantor independente de quaisquer tendências alinhadas.
Fez parte da nossa companhia quando integrou o elenco de BREVE SUMÁRIO DA HISTÓRIA DE DEUS, de Gil Vicente com encenação de Carlos Avilez e a mítica cenografia de Mestre José Rodrigues.
Um espectáculo que deu grandes dores de cabeça à Censura da época, que se preocupou até à exaustão em saber porque é que num texto vicentino, o espaço cénico era constituído por grades de cadeia.
Pedro Barroso também fez parte da peça FUENTEOVEJUNA, de Lope de Vega, numa tradução notável de Natália Correia.
Em ambos os espectáculos, muitos dos temas musicados são da sua autoria.
Pedro Barroso ficará para sempre na história do Teatro Experimental de Cascais.
João Vasco
20 de Março de 2020

Na fotografia: Zita Duarte, Águeda Sena, Pedro Barroso e António Marques

© J. Marques


ANTÓNIO FEIO
Recordamos António Feio sempre com muita saudade e afecto.
A sua estreia em palco, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, aconteceu no dia 20 de Fevereiro de 1966, precisamente há 54 anos, na peça de Ricardo Alberty "A pastorinha e o comboio", numa encenação de Glicínia Quartin, com o seguinte elenco: António Feio, António Rama, António Toppa, Carmen Gonzalez, Delfim Braz, Fernando Telles, Manuel Cavaco, Maria do Céu Guerra, Margarida Fragoso, Santos Manuel e Zita Duarte.
Aquele jovem extremamente bem educado, inteligente e bonito acompanhava diariamente a sua mãe, a actriz Ester Feio, aos ensaios de "A casa de Bernarda Alba", de Lorca, que marcaria o regresso da actriz Mirita Casimiro ao teatro em Portugal, depois de dez anos no Brasil.
Só cerca de um ano depois, o jovem se estrearia com enorme êxito na peça "Mar", de Miguel Torga, com encenação de Carlos Avilez e um cenário deslumbrante de mestre Almada Negreiros. Foi o início de uma carreira mediática para a época, até à sua partida com os pais para Moçambique. Na cidade de Lourenço Marques fez algumas aparições numa companhia de teatro, ao mesmo tempo que desenvolvia os seus estudos.
Em 1973, por ocasião da digressão que realizámos a Angola e Moçambique, ao desembarcarmos no aeroporto de Lourenço Marques, entre os jornalistas e muitos admiradores que nos aguardavam, estava um jovem muito alto que nos cumprimentou. Como ficou com a ideia que não o estávamos a reconhecer dirigiu-se ao Carlos Avilez e apresentou-se: Sou o António Feio!
Durante a digressão integrou-se na companhia onde representou alguns personagens, e quando voltámos a Cascais em 1974, o António acompanhou-nos no regresso.
A partir deste momento, António Feio começou a desenvolver uma actividade de grande êxito no teatro e na televisão, reconhecida por todos até hoje.

JOÃO VASCO
20 de Fevereiro de 2020


Águeda Sena

Portugal acaba de perder uma das maiores personalidades da dança clássica e moderna. Podemos mesmo afirmar, que foi uma das maiores coreógrafas da Europa do séc. XX.
Ligam-me a Águeda Sena, laços de grande cumplicidade artística. Foi, em vários espectáculos que encenei ao longo da minha vida, um dos pilares mais importantes.
Marcou o seu cunho artístico em espectáculos como "A Maluquinha de Arroios" de André Brun, "D. Quixote" de Yves Jamiaque, "O Comissário de Polícia" de Gervásio Lobato, assim como "Bodas de Sangue" de Federico García Lorca. A nossa última colaboração, foi em "A Dama das Camélias" de Alexandre Dumas, em 1995 no Casino Estoril.
Destaco no entanto, duas das suas extraordinárias criações, "Acto Sem Palavras" de Samuel Beckett e "Sinfonia dos Salmos" de Stravinski, dois inesquecíveis momentos, que traduziram o seu enorme talento como criadora. Saliento, no final desta minha sentida homenagem a Águeda Sena, o seu notável trabalho no espectáculo "Namban Matsuri", realizado na Expo'70, em Osaka, no Japão, que julgo terá sido, um dos momentos mais altos da sua carreira artística.
A minha homenagem e saudade a Águeda Sena,

Carlos Avilez

...

Tive sempre muito apreço e até gratidão por esta importante figura da nossa cultura.
Contei sempre com a sua preciosa colaboração artística, em muitos dos variados personagens, que interpretei ao longo de 50 anos de teatro.
A sua actividade, não só em Portugal, como no estrangeiro, fazem de Águeda Sena uma das maiores personalidades do mundo do ballet.
Águeda Sena com o seu conhecimento apurado, relativamente à difícil e notável arte que é o ballet, tinha sensibilidade para compreender as dificuldades dos actores, auxiliando-os a dar corpo aos seus personagens.
Foi notável a simbiose artística entre Águeda Sena e Carlos Avilez, em vários espectáculos levados à cena pelo Teatro Experimental de Cascais. Considero que, alguns dos momentos mais altos da sua criatividade artística, aconteceram em "Sinfonia dos Salmos" de Stravinski e em "Acto Sem Palavras" de Samuel Beckett. No entanto, penso que o seu cume artístico, foi o grande espectáculo realizado na Expo'70 no Japão, um marco inesquecível da presença de Portugal nesse certame.
Desejo que seja dado, com urgência, apoio ao historiador António Laginha - uma personalidade importante do bailado em Portugal e o maior conhecedor da obra de Águeda Sena -, no sentido de ser divulgado a obra desta grande senhora da nossa cultura. António Laginha acompanhou sempre, com admiração e respeito, até ao fim da vida, a sua amiga Águeda Sena.
Curvo-me perante esta figura inesquecível.
João Vasco


Homenagem ao nosso amado amigo, professor Carlos Carranca

Querido Carlos, quando te ausentaste no dia 29 de Agosto último, a tua amada Rosa enviou-me uma sentida mensagem, para me agradecer as palavras que te enviei, nessa data tão triste para os teus inúmeros colegas, alunos, e amigos.
A certa altura da mensagem, ela escreveu com o coração esta frase: o meu amado Carlos... o meu amado Carlos...
É verdade meu amigo, a amizade e a camaradagem construída ao longo dos 20 anos - em que abraçamos com amor o projecto desta escola artística -, foram inesquecíveis.
Durante estes anos ninguém ficou indiferente à tua personalidade, à tua cultura e aos teus valores de cidadania. Sempre acompanhaste e divulgaste esses valores às várias gerações de jovens, que tiveram o privilégio de te conhecer e contigo aprender. Jovens esses, que hoje são intérpretes de grande valor nas suas carreiras, não só no teatro, mas também na massificada televisão. Todos eles têm por ti, uma enorme admiração, respeito e carinho.
Ninguém desta escola te irá esquecer. Deverão até agradecer-te o importante que foste na divulgação cultural, projectando junto dos intelectuais teus amigos, a cultura, a poesia, o teatro e a música. Todas estas vertentes foram divulgadas por ti, no plano cultural desta escola.
Lembro, que foi por teu intermédio, que estiveram presentes nesta escola diversas personalidades da vida cultural e cívica. Recordo, o nosso grande amigo Luís Góis, que aqui deu uma extraordinária lição de cultura e comunicabilidade.
Querido Carlos, há quem diga que a nossa passagem por esta escola foi importante. Se assim é, toda esta comunidade artística, tem o dever de continuar este projecto, com a mesma dimensão cultural, com que foi criado.
Os jovens devem respeitar e aprender com entusiasmo, os ensinamentos dos professores, assim como devem respeitar, todos os colaboradores que diariamente são responsáveis pelo funcionamento desta escola. Do mesmo modo, os responsáveis pela direcção deste estabelecimento de ensino, devem ter respeito uns pelos outros, sendo cada um responsável pelo sector que está a seu cargo.
Penso, meu querido Carlos Carranca, que foi também este o teu pensamento no sentido de continuar este grande projecto que é a Escola Profissional de Teatro de Cascais.
A tua inesquecível voz - quando entrava nos portões desta escola e nos cruzávamos diariamente às 9 da manhã -, está sempre presente no meu ouvido; o teu afável e salutar cumprimento: Olá Joãozinho...
Esta homenagem é pequena, mas ao mesmo tempo grandiosa, pela tua obra e pela tua importância nesta escola.
Um eterno abraço, meu querido amigo Carlos Carranca.
Até qualquer dia,

João Vasco
Escola Profissional de Teatro de Cascais
13 de Dezembro de 2019


António Feio

Na data do aniversário de António Feio, relembro a importância da sua passagem pela nossa companhia, no distante ano de 1966, onde se estreou nas peças O FEITICEIRO QUE TINHA FLORES NO NARIZ de Eduardo Rios e A PASTORINHA E O COMBOIO de Ricardo Alberty, com direcção de Glicínia Quartin.
Meses depois estrearia MAR de Miguel Torga, com cenário do Mestre Almada Negreiros e encenação de Carlos Avilez. Desde logo, o seu enorme talento foi assinalado pelo público e pelos críticos da época. O jovem António Feio tinha a admiração e o carinho de todo o elenco da peça, destacando-se a sua grande admiradora Mirita Casimiro.
Vim encontrá-lo anos depois em Moçambique, quando a nossa companhia fez a memorável digressão em Angola e Moçambique. O jovem António Feio foi esperar-nos ao aeroporto, sendo visível a sua comoção, tal como a nossa ao encontrá-lo já um homem. Não estava nos seus planos voltar ao teatro, mas sim tirar um curso superior. Toda a família do António era magnífica, a sua mãe, a actriz Ester Feio e o seu pai, o senhor engenheiro Feio, eram umas pessoas encantadoras.
Ester Feio, responsável pelo sector de teatro na rádio Moçambicana, vinha quase diariamente visitar-nos ao teatro de Lourenço Marques. Estes contactos, devidos à nossa presença em Moçambique, faz António Feio recomeçar o interesse pelo teatro. Acabou por colaborar, com alguns papéis em diversas peças, nessa digressão. Quando terminou, regressou connosco a Cascais, integrando a nossa companhia em 1974. Viveu connosco o 25 de Abril e a festa da Liberdade.
Recordo hoje, na data do seu aniversário, a sua educação, o seu sentido de humor, o seu lado humano, a sua inteligência e o seu enorme talento. Foi um amigo para mim, inesquecível.
Estará certamente numa companhia de teatro lá no céu, ao lado das queridíssimas Zita Duarte, Maria Albergaria, Glicínia Quartin, Isabel de Castro, e do queridíssimo Mário Viegas e tantos outros.
Recordo sempre o António Feio, não só no dia do seu aniversário, mas todos os dias.

João Vasco
6 de Dezembro de 2019


Maria do Céu Guerra

Os admiradores (entre os quais me incluo) da carreira e do talento de Maria do Céu Guerra, celebraram com imenso agrado, a distinção que a actriz recebeu ao ser premiada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência, atribuído pela revista Caras/SIC.
Já anteriormente Maria do Céu Guerra foi reconhecida como melhor Actriz da Europa, pelo Festival Internacional de Teatro - Actor of Europe.
Todas estas homenagens enchem-me de uma enorme satisfação pela amizade que lhe tenho desde 1965, ano em que fundámos, na então pacata vila de Cascais, o Teatro Experimental.
Na nossa companhia, Maria do Céu Guerra distinguiu-se de imediato como uma jovem com enormes potencialidades artísticas. Em todos os géneros de teatro, com o seu colossal talento, deu-nos interpretações notáveis, como em "A Vida de Esopo" de António José da Silva (O Judeu), "A Casa de Bernarda Alba" e "Bodas de Sangue" de Federico García Lorca, assim como também em "A Maluquinha de Arroios" de André Brun, "A Maça" de Jack Gelber e "Fedra" de Jean Racine com a enorme actriz Eunice Muñoz.
Sensibilizou-me o agradecimento e a reflexão que Maria do Céu Guerra fez ao receber o Globo de Ouro, relembrando o muito que todos nós devemos à liberdade que alcançámos em Abril de 74. Nunca é demais enaltecer - como Maria do Céu Guerra o fez -, a figura da democracia que é Francisco Pinto Balsemão.
A génese deste grande senhor da democracia está patente na liberdade de opinião exercida na SIC Notícias.
Maria do Céu Guerra sabe tão bem como eu, a horrível censura de que fomos vítimas, logo no início da fundação da nossa companhia.
Obrigado Maria do Céu Guerra. Um abraço imenso deste teu grande amigo e admirador,
João Vasco


PS: Depois de escrever esta mensagem dedicada à Maria do Céu Guerra tive conhecimento dos resultados provisórios dos concursos sustentados bienais 2020/2021 atribuídos às companhias de teatro por parte do júri (sempre os júris!) da Direcção-Geral das Artes.
Entre os grupos elegíveis, mas não contemplados financeiramente, está A Barraca, fundada em 1975 pelo dramaturgo Hélder Costa e por Maria do Céu Guerra.
É possível cercear a criatividade destas grandes figuras da nossa cultura, cortando o merecido apoio às suas criações?
Inacreditável.


Saudemos os 150 anos de existência do Teatro Gil Vicente em Cascais

Foi no dia 19 de Setembro de 1869 que o homem de negócios Manuel Rodrigues de Lima, concretizou o seu sonho ao presentear Cascais com uma moderna sala de teatro, à qual deu o nome do mais icónico dramaturgo português: Gil Vicente.
É notável a acção cultural desenvolvida ao longo destes anos nesta maravilhosa sala de teatro, amada pelos cascalenses e não só.
Este teatro recebeu ao longo da sua existência grandes personalidades da cultura portuguesa e até estrangeira. Destacamos o facto do Teatro Gil Vicente ser desde sempre, a verdadeira catedral do "teatro amador", cujas gerações de intérpretes têm mantido a chama do verdadeiro teatro amador. Tem sido uma tarefa apaixonante (e nem sempre fácil) pelo teatro em geral.
Grandes nomes da cena portuguesa, dirigiram muitas das peças ali levadas à cena: destacamos a jóia da coroa, o grande êxito que ao longo dos anos tem sido a célebre opereta "Senhora dos Navegantes", representada no Teatro Gil Vicente por muitas gerações de intérpretes.


O Teatro Experimental de Cascais
no Teatro Gil Vicente

É neste teatro que em 1965 estreámos a peça de António José da Silva (O Judeu), "Esopaida ou Vida de Esopo". O nascimento de um novo movimento de teatro português em Cascais, só foi possível pelo entusiasmo e apoio de duas grandes personalidades da vida cascalense, Joaquim Miguel Serra e Moura, então presidente da Junta de Turismo da Costa do Sol, e o jornalista João Martinho de Freitas, então director do recente periódico Jornal da Costa do Sol. "Esopaida ou Vida de Esopo" teve encenação de Carlos Avilez, música ao vivo de Carlos Paredes e cenário e figurinos do jovem pintor Luís Pinto Coelho.
Do elenco faziam parte os jovens Zita Duarte, Santos Manuel, Maria do Céu Guerra, João Vasco, Carmen Gonzalez, Manuel Cavaco e António Rama, entre outros.
Assim, no dia 13 de Novembro de 1965 começou a história desta companhia, que ainda hoje se mantém activa no panorama da cultura nacional.
De 1965 até 1974 (na altura em que a companhia estava numa digressão em Angola e Moçambique, dá-se o 25 Abril), o movimento desenvolvido pelo Teatro Experimental de Cascais, levou ao Teatro Gil Vicente uma nova corrente de público, que se deslocava de toda a parte do país, para tomar contacto com novas propostas e linguagens teatrais, onde se destacavam actores, dramaturgos, artistas plásticos e compositores.
Neste período, representaram neste teatro Amélia Rey Colaço, Augusto Figueiredo, Mirita Casimiro, Eunice Muñoz, Glicínia Quartin, Lourdes Norberto, José de Castro, Lia Gama, Canto e Castro, Fernanda Coimbra e muitos outros intérpretes. É aqui que se estreia - na peça "Mar" de Miguel Torga -, um jovem de treze anos, chamado António Feio. Também no Gil Vicente desenvolveram o seu talento, os artistas plásticos Francisco Relógio, Almada Negreiros, Júlio Resende e Lagoa Henriques, assim como o grande vulto da nossa cultura, o músico Carlos Paredes.
Por tudo isto, saudamos nesta data os honrados Bombeiros de Cascais, que lutaram sempre para que o Teatro Gil Vicente nunca deixasse de ser o seu teatro.
À direcção dos Bombeiros Voluntários de Cascais, na pessoa do Dr. Rama da Silva, assim como à direcção que tem à sua responsabilidade as actividades culturais do Teatro Gil Vicente, cujas novas propostas se têm realizado com grande êxito, de forma a honrar o passado e o presente do Teatro Gil Vicente, deixamos as nossas
Saudações


Carlos Avilez
João Vasco
Teatro Experimental de Cascais


Carlos Carranca
in memoriam

O desaparecimento de Carlos Carranca há dias, constituiu um duro golpe emocional para todos os amigos desta figura extraordinária. Havia ainda muito a esperar deste intelectual, que se preocupava com o seu país e os destinos da cultura em Portugal.
Era um homem de fortes convicções, dotado de grande humanismo, bem patente na sua obra poética e não só.
Carlos Carranca exerceu com paixão o seu papel de pedagogo e homem de cultura universal. A sua paixão pela obra de Miguel Torga, de quem foi amigo, motivou-o de forma a dar a conhecer aos jovens alunos, a grande figura e a mensagem deste poeta, que tanto honra a nossa literatura. Toda a sua obra dedicada a Torga, merece e deve ser divulgada pelo conhecimento e paixão que lhe dedicava, como também a outros vultos da cultura universal, com destaque para Miguel de Unamuno.
Foi colaborador em diversos espectáculos do TEC Teatro Experimental de Cascais, tais como Terra Firme, O Paraíso e Torga.
Leccionou durante mais de duas décadas na Escola Profissional de Teatro de Cascais, dando o seu cunho de professor universitário de grande mérito. Influenciou muitos jovens, dando-lhes a conhecer a importância da cultura, do civismo e da cidadania. Foi o primeiro grande divulgador da obra que é hoje a Escola Profissional de Teatro de Cascais. Certamente que este estabelecimento de ensino irá homenagear em breve este homem de bem, amigo dos seus amigos, escritor e poeta, cuja obra deve ser estudada e divulgada por todos os seus amigos e admiradores.
O meu abraço de grande amizade para Carlos Carranca.

João Vasco 
Setembro, 2019


Ruben de Carvalho

Tive o privilégio de o conhecer aquando a Lisboa '94 Capital Europeia da Cultura. Tinha-lhe enviado uma sugestão no sentido de voltarmos a representar BREVE SUMÁRIO DA HISTÓRIA DE DEUS de Gil Vicente. Espectáculo que esteve em cena em Cascais, com assinalável êxito, mas com imensas investidas pela comissão de censura. Não era bem o texto de Gil Vicente que os preocupava, mas sim, o enigmático cenário do grande escultor José Rodrigues, que tinha transformado o palco com grades aludindo a uma prisão. Também o elenco do espectáculo levantava algumas dúvidas, como por exemplo a figura de Cristo desempenhada por José Jorge Letria, acompanhado de outros intérpretes, como Pedro Barroso e António Macedo, que tinham obtido um assinalável êxito os baladeiros saídos do célebre Zip-Zip. Curiosamente, a edição musical da peça, quando foi entregue no Teatro Gil Vicente em Cascais, foi apreendida pelos elementos da PIDE.
Depois de analisar o projecto, Ruben de Carvalho chamou-me para me informar o seu interesse em incluir o espectáculo na programação Lisboa '94. Foi um diálogo que não esqueço. Era uma personalidade cativante, pessoal e culturalmente.
Assim, convidámos os míticos Delfins, que com um enorme talento musicaram o texto Vicentino. A figura de Cristo foi desempenhada com enorme sensibilidade e beleza pelo Miguel Ângelo. A sua personalidade servida por um enorme carisma junto da juventude, tornaram o espectáculo num enorme êxito. Foi um grande momento dos Delfins, um dos grandes sucessos dos temas musicais, foi sem dúvida o "Soltem os Prisioneiros". Sem ser oportunista o tema foi da maior importância para a causa de Timor.
Ruben de Carvalho ao aceitar este projecto de Gil Vicente, mostrou a sua visão cultural transformando num grande êxito que foi a Lisboa '94. Ruben de Carvalho faz parte das personalidades que tiveram influência na vida do Teatro Experimental de Cascais.
Teria sido certamente um "inesquecível" Ministro da Cultura.
João Vasco
Junho, 2019


Saudemos Chico Buarque pelo Prémio Camões
Ficámos sensibilizados pela atribuição merecida do "Prémio Camões" a Chico Buarque, poeta e dramaturgo brasileiro dos mais celebrados em todo o mundo. Ao saudá-lo, queremos, mais uma vez, agradecer-lhe a colaboração no sentido de autorizar a nossa companhia para que tivéssemos levado à cena, em 2013, a peça "Os Saltimbancos", de sua autoria, no Teatro Municipal Mirita Casimiro.
A sua extraordinária obra "Os Saltimbancos" constituiu um merecido êxito do nosso público. Não queremos esquecer e, ao mesmo tempo, saudar o nosso amigo, escritor e jornalista brasileiro Jefferson Del Rios que, como amigo de Chico Buarque, deu-lhe a informação sobre a actividade do Teatro Experimental de Cascais. Chico Buarque deu-nos todas as facilidades para que representássemos a sua obra.
Desde Cascais, o nosso abraço e a nossa homenagem a Chico Buarque da Holanda. 

João Vasco
Maio, 2019 

fotografias do espectáculo OS SALTIMBANCOS 
da autoria de Alfredo Matos 


MARIA ALBERTA MENÉRES

Figura importante da cultura portuguesa, deixou-nos uma obra extraordinária na literatura infanto-juvenil. 
Era uma senhora encantadora. O seu cunho pessoal, através da sua obra, deixou-nos uma marca indelével na sua passagem pela RTP, onde o sector que dirigiu, atingiu o nível de grande qualidade, deixando o seu contributo para que a juventude tivesse acesso televisivo e não só, na formação dos jovens.
Tive o privilégio de conviver com a Maria Alberta Menéres quando, em 1980, decidimos levar à cena "O que é que aconteceu na Terra dos Procópios?" de sua autoria. 
Foi uma feliz encenação de Carlos Avilez, num lindíssimo cenário todo branco, da autoria de Maria Helena Reis. O elenco era constituído por Álvaro Faria, Carlos Freixo, Fernando Côrte-Real, Luis Rizo, Rita Pavão e Vicente Batalha. No elenco estava a excepcional actriz Cecília Guimarães, que interpretava um "Palhaço". Os intérpretes davam vida e entusiasmo ao texto da autora, servido pelo talento musical de Luís Pedro Fonseca e a coreografia de Águeda Sena.
O espectáculo integrado no projecto "O Aluno, o Professor, o Teatro e a Escola", foi estreado em Lisboa, no Teatro Aberto. O êxito foi tão grande (que se deveu em grande parte à comunicação entre os intérpretes e o público), que nos levou a repô-lo mais tarde, no Casino Estoril.
Em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, jovens de todas as escolas do ensino preparatório do concelho, deslocaram-se em autocarros, ao Auditório do Casino Estoril, durante alguns meses.
Foi proposto, em colaboração com os professores, que os jovens trabalhassem em desenho, a história da peça de Maria Alberta Menéres. Daí resultou, no Espaço Memória, uma exposição com esses trabalhos, os quais constituíram um projecto importante na vida do Teatro Experimental de Cascais.
Maria Alberta Menéres afirmou na altura, ter sido este, um momento importante na sua carreira literária.

João Vasco
Abril, 2019