TEC
Teatro Experimental de Cascais

Ruben de Carvalho
Tive o privilégio de o conhecer aquando a Lisboa '94 Capital Europeia da Cultura. Tinha-lhe enviado uma sugestão no sentido de voltarmos a representar BREVE SUMÁRIO DA HISTÓRIA DE DEUS de Gil Vicente. Espectáculo que esteve em cena em Cascais, com assinalável êxito, mas com imensas investidas pela comissão de censura. Não era bem o texto de Gil Vicente que os preocupava, mas sim, o enigmático cenário do grande escultor José Rodrigues, que tinha transformado o palco com grades aludindo a uma prisão. Também o elenco do espectáculo levantava algumas dúvidas, como por exemplo a figura de Cristo desempenhada por José Jorge Letria, acompanhado de outros intérpretes, como Pedro Barroso e António Macedo, que tinham obtido um assinalável êxito os baladeiros saídos do célebre Zip-Zip. Curiosamente, a edição musical da peça, quando foi entregue no Teatro Gil Vicente em Cascais, foi apreendida pelos elementos da PIDE.
Depois de analisar o projecto, Ruben de Carvalho chamou-me para me informar o seu interesse em incluír o espectáculo na programação Lisboa '94. Foi um diálogo que não esqueço. Era uma personalidade cativante, pessoal e culturalmente.
Assim, convidámos os míticos Delfins, que com um enorme talento musicaram o texto Vicentino. A figura de Cristo foi desempenhada com enorme sensibilidade e beleza pelo Miguel Ângelo. A sua personalidade servida por um enorme carisma junto da juventude, tornaram o espectáculo num enorme êxito. Foi um grande momento dos Delfins, um dos grandes sucessos dos temas musicais, foi sem dúvida o "Soltem os Prisioneiros". Sem ser oportunista o tema foi da maior importância para a causa de Timor.
Ruben de Carvalho ao aceitar este projecto de Gil Vicente, mostrou a sua visão cultural transformando num grande êxito que foi a Lisboa '94. Ruben de Carvalho faz parte das personalidades que tiveram influência na vida do Teatro Experimental de Cascais.
Teria sido certamente um "inesquecível" Ministro da Cultura.
João Vasco
Junho, 2019


Saudemos Chico Buarque pelo Prémio Camões
Ficámos sensibilizados pela atribuição merecida do "Prémio Camões" a Chico Buarque, poeta e dramaturgo brasileiro dos mais celebrados em todo o mundo. Ao saudá-lo, queremos, mais uma vez, agradecer-lhe a colaboração no sentido de autorizar a nossa companhia para que tivéssemos levado à cena, em 2013, a peça "Os Saltimbancos", de sua autoria, no Teatro Municipal Mirita Casimiro.
A sua extraordinária obra "Os Saltimbancos" constituiu um merecido êxito do nosso público. Não queremos esquecer e, ao mesmo tempo, saudar o nosso amigo, escritor e jornalista brasileiro Jefferson Del Rios que, como amigo de Chico Buarque, deu-lhe a informação sobre a actividade do Teatro Experimental de Cascais. Chico Buarque deu-nos todas as facilidades para que representássemos a sua obra.
Desde Cascais, o nosso abraço e a nossa homenagem a Chico Buarque da Holanda. 
João Vasco
Maio, 2019 

fotografias do espectáculo OS SALTIMBANCOS 
da autoria de Alfredo Matos 


MARIA ALBERTA MENÉRES

Figura importante da cultura portuguesa, deixou-nos uma obra extraordinária na literatura infanto-juvenil. 
Era uma senhora encantadora. O seu cunho pessoal, através da sua obra, deixou-nos uma marca indelével na sua passagem pela RTP, onde o sector que dirigiu, atingiu o nível de grande qualidade, deixando o seu contributo para que a juventude tivesse acesso televisivo e não só, na formação dos jovens.
Tive o privilégio de conviver com a Maria Alberta Menéres quando, em 1980, decidimos levar à cena "O que é que aconteceu na Terra dos Procópios?" de sua autoria. 
Foi uma feliz encenação de Carlos Avilez, num lindíssimo cenário todo branco, da autoria de Maria Helena Reis. O elenco era constituído por Álvaro Faria, Carlos Freixo, Fernando Côrte-Real, Luis Rizo, Rita Pavão e Vicente Batalha. No elenco estava a excepcional actriz Cecília Guimarães, que interpretava um "Palhaço". Os intérpretes davam vida e entusiasmo ao texto da autora, servido pelo talento musical de Luís Pedro Fonseca e a coreografia de Águeda Sena.
O espectáculo integrado no projecto "O Aluno, o Professor, o Teatro e a Escola", foi estreado em Lisboa, no Teatro Aberto. O êxito foi tão grande (que se deveu em grande parte à comunicação entre os intérpretes e o público), que nos levou a repô-lo mais tarde, no Casino Estoril.
Em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, jovens de todas as escolas do ensino preparatório do concelho, deslocaram-se em autocarros, ao Auditório do Casino Estoril, durante alguns meses.
Foi proposto, em colaboração com os professores, que os jovens trabalhassem em desenho, a história da peça de Maria Alberta Menéres. Daí resultou, no Espaço Memória, uma exposição com esses trabalhos, os quais constituíram um projecto importante na vida do Teatro Experimental de Cascais.
Maria Alberta Menéres afirmou na altura, ter sido este, um momento importante na sua carreira literária.

João Vasco
Abril, 2019